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A cidade de São Paulo desenvolveu sua indústria numa época marcada por grandes mudanças. O renome da cidade veio quando a economia paulista dependia da produção de café do estado. Desta forma, muito do que se desenvolveu na cidade naqueles anos estava ligado às necessidades da produção e comércio dos barões do café.
A grande quantidade de grãos produzida no planalto paulista precisava de uma maneira de escoar, ser comercializada. Sendo assim, se construiu a estrada de ferro sorocabana. E a estação inicial da ferrovia que era a principal para o transporte do café no estado, em pleno centro de São Paulo, marca uma época de muito entusiasmo.
O projeto arquitetônico, elaborado por Cristiano Stockler das Neves e Samuel das Neves, premiado no congresso panamericano de arquietos de 1927, ocuparia uma área de 25.000 metros quadrados. Foi construída tendo como base as grandes estações de trem norte-americanas, como a de Nova York, porém com o estilo francês Luis XVI.
É uma construção grandiosa. São cerca de 215 metros de comprimento, 26 metros de altura, e a gare da estação tem mais de 40 metros de vão.
Sua construção demorou 12 anos. Concluída em 1938, a plataforma da estação foi construída com parte da estrutura metálica de um dirigível alemão que sobrevoava São Paulo na época.
Infelizmente, a estação viria a documentar e a testemunhar a degradação e abandono que se abateram sobre o centro de São Paulo, gerando um círculo vicioso de decadência e destruição.
Com a crise do café, as ferrovias perderam parte de sua importância. O centro da cidade entrava numa época de extrema decadência, e mais tarde, parte do complexo (o prédio usado como Estação, inaugurado em 1875, tendo como arquiteto, Ramos de Azevedo) foi usado pelo DOPS, o Departamento de Ordem Política e social (que visava conter os movimentos que eram contra o regime militar) de 1949 até 1983, quando foi ocupada pela delegacia de segurança pública. Hoje, faz parte do complexo cultural.
Condenada ao abandono, a Estação continuou mal-conservada mesmo depois da desocupação do prédio do DOPS. na década de 1990, porém, a situação começou a mudar.
A Estação Júlio Prestes foi transformada na sede da orquestra sinfônica do estado de São Paulo, e completamente restaurada. A Estação de trem continua funcionando, apesar de o grande hall da estação ter sido transformado numa das mais modernas e belas salas de concertos do mundo. A Sala São Paulo.
Foram 18 meses de obras, com centenas de operários, envolvidos na restauração e nas modificações necessárias. Em muitas partes do edifício ricamente decorado com esculturas, foram necessárias técnicas artesanais tradicionais, para manter as características iniciais. As obras de restauração ganharam prêmios como o Prix d' Excellence 2001 (aonde também foram premiadas obras como a do museu Guggenheim de Bilbao), além do prêmio "Master Imobiliário 2000".
A Sala São Paulo é uma sala de concertos de música erudita com 984 metros quadrados, com 1.500 lugares. Tem uma das melhores acústicas do mundo, além de ser a única sala de concertos onde todo o teto -flutuante- se ajusta à partitura usada.
A Estação Júlio Prestes pode ser tida como exemplo de restauração depois de anos de abandono. É este tipo de atitude que transformará São Paulo numa cidade que dá mais valor à sua cultura e história.
Complexo
Cultural Júlio Prestes - Sala São Paulo
Praça Júlio
Prestes, s/nº. Campos Elíseos - Centro. tel.: 223-5199/3097-8687.
Próximo à Estação
Luz do metrô.
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A Estação de
trem da estrada de ferro Sorocabana, em 1948,
construída em estilo Luis XVI.

A famosa torre da
estação, também próxima à
Estação
da Luz.
 
A iluminação
da estação, que chama atenção no centro da cidade, durante a noite
e ao entardecer.
 
A Sala São Paulo,
em dois ângulos: a sala de concertos considerada umas das mais belas e
sofisticadas do mundo, com acústica perfeita, e tecnologia impecável.
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